quarta-feira, 4 de setembro de 2013
A MULHER ATRAS DO POSTE (BABA YAGA DE SÃO MIGUEL)
No dia 23 de Agosto, durante a segunda apresentação do espetáculo FANTASMAS & DEMÔNIOS DE SÃO MIGUEL, a Arte Educadora Tânia Lawall nos contou uma história fantástica, ocorrida em sua infância entre São Miguel e Itaim Paulista. Esta narrativa é baseada na sua história.
A MULHER ATRAS DO POSTE (Baba Yaga de São Miguel)
A pequena Nina, 7 anos, morava com os pais e os irmãos numa casa humilde no Itaim Paulista. Haviam mudado a pouco da área litorânea para a periferia da cidade. Naquela época, as melhores escolas da região estavam em São Miguel Paulista. Entre elas, a Escola Estadual Dom Pedro I e a Escola Estadual Carlos Gomes. Nina iniciou os estudos nesta segunda escola. Devido às duras condições da família durante os primeiros anos na região, muitas vezes a irmã de Nina trazia a pequena andando pela São Paulo-Rio até chegar ao centro de São Miguel e cruzar o bairro até o Carlos Gomes.
Foi em uma dessas idas e vindas que Nina viu, certa tarde indo para o anoitecer, aquela estranha mulher vestida de preto e roxo desbotado as seguindo e, eventualmente, se escondendo atrás de um ou outro poste. Era uma mulher bem velha, de pele branca amarelada, olhos claros e cabelos longos, quebradiços e grisalhos. Nina a percebeu pela altura do bairro de São Vicente e alertou a irmã que, ao ver a figura escondendo-se atrás de um poste e fitando-as, não resistiu e fez a pilhéria:
“É a Baba Yaga, Nina. Ela veio te buscar.”
Nina era facilmente impressionada por histórias de terror. Passou noites sem dormir e uma semana sem querer ir pra escola. A mãe, ao descobrir, deu uma sova na filha mais velha e, com muito carinho e paciência, fez a filha perder o medo da Baba Yaga de São Miguel. E Nina voltou a ir pra escola normalmente, sem mais ser perturbada ou seguida pela estranha mulher.
Os meses passaram e, certa noite, olhando ocasionalmente um velho álbum de fotografias da família, Nina começou a chorar e chamou a mãe. Mostrou a foto de uma mulher no álbum e disse que era a mulher atrás do poste.
“Não pode ser, filha.” – disse a mãe – “Esta era uma amiga da vovó lá de Cubatão, mas ela morreu quando você ainda estava na minha barriga.”
A irmã mais velha de Nina aproximou-se, olhou a foto e confirmou a figura. A morta da foto era a Baba Yaga de São Miguel.
“Por que ela tava me olhando, mamãe?”
“Não sei, filha, mas ela sempre dizia pra vovó que um dia ia cuidar de seus netinhos...”
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Muito parecidas, li pausadamente. As lembranças e as imagens configuraram-se como um cenário. Fechei meus olhos e voltei à velha infância. Saudades!
ResponderExcluirLembrar da criança que fui transmite crescimento à maturidade. "Eu gosto de tudo em minha história, inclusive o pior" (Béatrice Dalle).
Obrigada!
Beijos mil
Tania Lawall